O comum é confundir autor/escritor e sujeito lírico. Num texto literário há a criação de uma entidade cujo propósito é tornar lírico os versos ou narrar uma história.
No primeiro caso, tal entidade não revela quaisquer pormenoridades pessoais do escritor como sofrimentos, desventuras amorosas, inconfortabilidade etc., mas imprime sua visão geral, sua abstração dos problemas de uma sociedade, enfim, um sentimento coletivo. Assim, a distância entre eles é equilibrada.
No segundo caso, a distância é ainda maior entre sujeito lírico e autor. A criação literária não siginifica textualizar a vida de quem escreve, mas sim, propagar, também, essa visão geral sobre a sociedade, claro, empregando recursos estilísticos à disposição, como se adequar a uma tendência literária, a um estilo de escrita, ou simplesmente incumbir um personagem a representar toda uma classe, assim como fez Gil Vicente com Marta Gil, Padre e Taful em Auto da Barca Do Purgatório e Aluísio de Azevedo com Bertoleza, Rita Baiana, Pombinha e João Romão n'O cortiço. A crítica psicanalista é usada, nesse sentido, com incoerêcia quando há a tentativa de estabelecer conexões entre o autor e a entidade narrativa ou personagem, utilizando também a crítica sociológica, uma vez que as duas estão interligadas.
Logo, a Psicanálise trata da análise das personagens do texto literário, das motivações dos comportamentos justamente neste mundo fictício, imaginário, fantasioso que é o próprio texto, uma vez que Freud considera a Literatura uma extensão do pensamento humano, sendo, desta forma, a confusão com o ato da criação literária inválida.
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